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Olarias enfrentam suas emissões

Posted at 15/03/2011 | By : | Categories : Sustentável | Comentários desativados em Olarias enfrentam suas emissões

Olarias enfrentam suas emissões

Fonte: Mercado Ético – Emilio Godoy*

Com a calça arregaçada e a camiseta branca salpicada, o mexicano Carlos Frías mistura com a mão barro, água e esterco para preparar uma fileira de tijolos vermelhos. Quando a mistura está pronta, é amassada e colocada em um molde. Com as mãos, o oleiro ajeita o material e depois rega com água para ajudar a dar consistência.

As peças ordenadas em fileiras ficam no Sol e no sereno por quatro dias até secarem, e então vão para o forno, que consta de uma base perfurada para colocar o combustível e paredes feitas de tijolo de entulho. A indústria dos “tabiques”, como são chamados no México os tijolos, é poluente e insalubre, além de artesanal. Os 20 mil oleiros do país apenas sobrevivem com seu trabalho. Sua própria informalidade deixa invisíveis os números de sua contribuição para a economia do país.

“Não se ganha muito. Somos vistos como um setor informal e não estamos integrados ao setor da construção”, explica Carlos, de 32 anos, administrador de empresas formado no estatal Instituto Tecnológico de León e secretário da União de Oleiros de El Refugio. A produção é manual, em fornos convencionais de lenha e óleo combustível (derivado do petróleo) e os tijolos são de baixa qualidade, segundo diagnóstico da Fundação Suíça de Cooperação para o Desenvolvimento Tecnológico (Swisscontact).

Para o Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais, as olarias exploram em excesso recursos naturais, alteram os ecossistemas e contaminam o ar e a água com os dejetos da produção. Os fornos mexicanos emitem óxido de nitrogênio (que é muito tóxico), compostos orgânicos voláteis, como hidrocarbonos em estado gasoso, monóxido de carbono e partículas menores, provenientes da queima do barro.

No bairro El Refugio, no município de Duarte, 390 quilômetros ao norte da Cidade do México, são 128 destas empresas informais que aderiram ao Programa de Eficiência Energética em Olarias Artesanais da América Latina para Mitigar a Mudança Climática (EELA). O projeto é executado no Brasil, Equador, México, Peru, Bolívia e Argentina, patrocinado pela Swisscontact e sócios nacionais em cada país. Em sua primeira fase, 2010-2013, foram feitas pesquisas sobre a realidade e são testadas as melhores técnicas.

Um objetivo central é reduzir os gases que saem dos fornos e têm um acentuado efeito estufa, pois aquecem a atmosfera. Busca-se, então, tornar mais eficiente o consumo de energia, introduzir combustíveis alternativos e menos contaminantes do que a lenha ou o carvão, aperfeiçoar os fornos artesanais e aumentar a qualidade do produto final. Os participantes do EELA pretendem, ainda, que os governos incluam suas soluções na formulação de políticas públicas.

“O que se pretende é conciliar as problemáticas social, econômica e ambiental. Porém, também é preciso dignificar o trabalho e que sejamos reconhecidos”, disse ao Terramérica Carlos, cuja associação surgiu em 1996.

No município colombiano de Nemocón, no departamento de Cundinamarca, o EELA começou a ser aplicado no segundo semestre de 2010. O tijolo à vista é um elemento característico da arquitetura colombiana, e em especial de Bogotá. As primeiras olarias foram instaladas em 1550. Das 1.700 olarias colombianas, 130 ficam em Nemocón e operam 400 fornos. Neles é usado carvão mineral que, em sua queima, libera óxido nitroso, monóxido de carbono e dióxido de enxofre, aquecendo a atmosfera e causando doenças respiratórias nos trabalhadores e na população da área.

“Iniciamos treinamentos, mas ainda estamos em fase de consolidação para qualificar a utilidade da alta quantia do projeto”, disse ao Terramérica o diretor da Unidade Municipal de Assistência Técnica e Agropecuária, Ricardo Garay. “Cinquenta e sete mineiros, que se converteram em multiplicadores, assistiram aos treinamentos, que incluem aspectos como manejo da água da chuva”, acrescentou. Em sua opinião, “o projeto é viável e dará resultados excelentes no médio prazo, não apenas em tijolos, como em toda a produção com argila”.

A Swisscontact define a produção colombiana como semimecanizada e com fornos pouco eficientes. Para cozer as peças, os fornos precisam manter temperatura superior a mil graus centígrados por, em média, 24 horas. É necessário um combustível eficiente e uma instalação capaz de conservar o calor. Os sete países participantes do programa têm cerca de 48 mil fornos de tijolos que emitem seis milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano.

A melhoria técnica ajudaria a reduzir em até 30% as emissões, pois o potencial de redução é de 1,8 milhão de tonelada de dióxido por ano nos sete países. O México, por exemplo, emite no total 709 milhões de toneladas anuais de gases causadores do efeito estufa. O projeto é aplicado de acordo com particularidades de cada país. Na primeira fase, de três anos, no México são testados diferentes tipos de fornos e combustíveis.

Concluída essa etapa, os especialistas trocarão resultados de suas pesquisas para propor a tecnologia mais adequada para cada lugar a fim de baixar as emissões. Assim, um grupo de produtores aplicará essa proposta que, se for eficaz, se estenderá aos níveis regional e nacional. Em El Refugio, sede de olarias desde 1985, funcionam 380 fornos. O custo de produção é de US$ 0,01 por tijolo, e o preço de venda é de US$ 0,13. Na área próxima a Bogotá uma unidade é produzida por US$ 0,06 e é vendida por US$ 0,25.

Em 1999, a Corporação Mexicana de Pesquisa em Materiais, vinculada ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, desenvolveu um projeto de eficiência com olarias da cidade de Saltillo, com uso de óleo automotivo e um dosificador de combustível que permitiu uma redução nas emissões entre 60% e 80%.

* O autor é correspondente da IPS. Com a colaboração de Helda Martinez, em Bogotá.

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

(Envolverde/Terramérica)

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