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Ética e reputação na era do WikiLeaks

Posted at 11/03/2011 | By : | Categories : Sustentável | Comentários desativados em Ética e reputação na era do WikiLeaks

Ética e reputação na era do WikiLeaks

Fonte: Mercado Ético – Dario Menezes, da Plurale

No final de 2010, um dos assuntos mais comentados em escala global esteve relacionado com as revelações feitas pelo australiano Julian Assange, fundador e responsável pelo site WikiLeaks. Suas notícias mancharam a reputação de países e governantes e, segundo palavras do seu fundador, se estenderão em um futuro próximo ao universo corporativo, desvendando os bastidores das corporações globais. Este artigo procura discutir três pontos centrais para as empresas no fortalecimento da ética, como pilar organizacional, e na prevenção da divulgação de informações sigilosas que apresentem riscos à sua reputação.

Para começar, cabe aqui um breve esclarecimento: muitos pensam que o site WikiLeaks começou agora as suas atividades, mas não é verdade. O site existe há quatro anos e sua principal missão é estimular pessoas que tenham acesso a documentos secretos a torná-los públicos, destruindo segredos de estados e empresas, revelando práticas organizacionais e empresariais. Apesar do papel de divulgação de segredos, historicamente, sempre ter sido exercido pela mídia tradicional, o WikiLeaks conseguiu acesso a uma quantidade impressionante de documentos importantes nos últimos meses, dentre eles informações privilegiadas dos bastidores das guerras do Iraque e do Afeganistão e ainda, uma vasta troca de correspondências entre as diversas embaixadas dos Estados Unidos. Ao final, para gerar a desejada ressonância, o WikiLeaks associou-se a grandes veículos de mídia internacionais como o New York Times, Guardian, Le Monde, El Pais e Der Spiegel e conseguiu uma cobertura ímpar na mídia para as suas revelações.

Agora, após a onda de denúncias e retaliações, o site pode não resistir à pressão dos governos e deixar de existir, apesar de toda a mobilização dos seus fãs e hacktivistas espalhados por diversos países e que empunharam suas armas digitais contra empresas como a Visa, PayPal, Amazon e Mastercard, dentre outras.

Como já aconteceu com o Napster, programa de troca de músicas que se extinguiu em 2001, e que foi, posteriormente, recriado por outros empreendedores digitais, representando hoje metade de todo o tráfego da rede mundial de computadores, a cultura de divulgar informações sigilosas pela web sai mais fortalecida do que nunca e já anuncia seu próximo foco: o mundo corporativo principalmente os segredos ligados aos segmentos farmacêutico, bancário e de petróleo. Especificamente para o setor bancário, dados de mais de 2.000 operações internacionais de políticos e empresários já estão sendo analisadas e em breve serão divulgadas.

Por todo esse cenário, a ética se fortalece como uma questão central da agenda corporativa. As empresas que não souberem conviver com esse novo mundo, com uma reforçada demanda da sociedade por uma postura centrada na ética, irão enfrentar sérios problemas ligados à sua imagem e reputação, podendo simplesmente desaparecer.

Ficam aqui algumas questões relevantes: Como uma empresa deve pautar suas estratégias e ações para não ver sua reputação manchada por divulgações inesperadas? Como recriar e fortalecer a ética como o mais importante pilar organizacional? Estas são questões cada vez mais decisivas nos dias atuais. É lógico que governos e empresas devem ter um processo de segurança da informação efetivo, reduzindo riscos de acessos indevidos às suas informações mais vitais. Porém, o mais inovador nesse caso, para uma correta prevenção, não é o emprego isolado da tecnologia que se reinventa cada vez mais rápido, mas o fortalecimento do elo entre as organizações e seus colaboradores, educando, investindo no seu processo de desenvolvimento, trazendo-os para o processo de construção da estratégia e dando voz às suas aspirações.
Nesse contexto, é relevante criar de forma participativa com os colaboradores, estratégias corporativas vitoriosas e que eliminem qualquer prática corporativa que não seja condizente com a ética empresarial, seja ela revelada acidentalmente em uma simples troca de e-mail, ante-sala de reunião, saguão de aeroporto ou na hora do cafezinho.

Fortalecendo a ética como principal valor da organização – Assim como aconteceu com a divulgação dos documentos envolvendo a diplomacia americana, que contou com a ajuda de um cabo do setor de Inteligência do exército americano, as denúncias relacionadas as práticas corporativas serão feitas provavelmente por integrantes e desenvolvedores da própria estratégia da empresa, sejam seus funcionários, fornecedores, parceiros ou franqueados. Por que isso deve acontecer? Porque, no novo contexto global de negócios, espera-se que as organizações exerçam o princípio básico da coerência, sendo fiéis aos seus valores corporativos, exercendo a ética e a sinceridade nas suas relações. Todo comportamento dissonante dessa afirmação será primariamente repudiado pelos seus stakeholders, que utilizarão suas redes sociais e contatos para tornar públicos comportamentos não aceitáveis por parte das empresas.

Só há uma saída: fortalecer a ética como o principal valor da organização, educando e reconhecendo exemplarmente procedimentos e atitudes alinhados a este objetivo e sendo bastante rigorosa com procedimentos que não coadunem com estes valores.

A ética e a eterna vigilância – No contexto de negócios atual, a sociedade vem aumentando sua observação sobre as empresas, demandando das organizações um maior nível de transparência na condução dos seus negócios e iniciativas. Espera-se das empresas um comportamento ético, uma capacidade de aglutinar parceiros em prol de um resultado benéfico para a toda a sociedade e para o planeta. Dialogando de forma aberta, reconhecendo erros e acertos, gerando uma percepção favorável de transparência e credibilidade. Ter a sua reputação manchada com a divulgação de procedimentos e posturas corporativas incorretas pode ser fatal para as empresas, independentemente do seu tamanho, abrangência e porte.

Reforçando e valorizando o alinhamento organizacional e a ética – Mais do que contratos formais de confidencialidade, é vital para as empresas reformular e fortalecer suas posturas e comportamentos, garantindo um constante alinhamento entre os objetivos e práticas da organização e as expectativas dos seus stakeholders. Cada corporação deve engajar seus colaboradores e construir de forma compartilhada sua estratégia, discutir amplamente sua visão, missão e valores e renovar suas práticas gerenciais. Para fortalecer esse processo, é necessário comunicar com freqüência e através de veículos de comunicação complementares, garantindo perfeito entendimento dos seus objetivos e as formas corretas de execução da mesma, sem meias verdades ou comportamentos dúbios.

Finalizando, cabe lembrar que a ética nunca saiu nem sairá da agenda corporativa. Ela sempre será importante, relevante e balizadora de caminhos. Funciona como o cimento que une definitivamente todos os valores corporativos. O que mudou e sempre mudará é o contexto social, trazendo novos hábitos e reforçando os bons costumes e práticas, sejam pessoais ou empresariais. O que mudou foi a velocidade com que as notícias e fatos são divulgados globalmente.

Nunca é demais lembrar que regra geral, as pessoas vão sempre preferir as empresas com que se relacionam não somente pelo seu conjunto de produtos e serviços, mas principalmente pela reputação que têm e mantêm, querendo conhecer mais das práticas e processo das empresas que estão por trás das marcas. Talvez uma boa adaptação atual da famosa frase do Imperador Júlio Cesar poderia ser escrita assim: “Não bastam as corporações serem honestas. Têm que parecer honestas sob todas as circunstâncias, sob todos os tipos de operações e em todos os dias de sua atividade e principalmente no relacionamento com todos os seus públicos de interesse, por mais distintas que sejam as suas demandas e expectativas, ampliando seu capital positivo de confiança e reputação.”

As corporações que não entenderem esta máxima correm o risco de desaparecer na mesma velocidade com que as notícias são divulgadas nas mídias sociais digitais e na rede mundial de computadores.

* Dario Menezes (dario.menezes@ig.com.br ) é professor do IBMEC/RJ e da ESPM/RJ e Diretor de Novos Negócios do Reputation Institute.

(Plurale)

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