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A crise pode levar a riscs sociais e guerras

Por martins • set 26th, 2009 • Categoria: Sustentabilidade

A crise pode levar a riscos sociais e guerras

Fonte : Mercado Ético

Do palácio de vidro da ONU, a caravana dos líderes das 20 maiores potências econômicas mundiais, liderada por Barack Obama e acompanhada por um exército de diplomatas, jornalistas e seguranças, se dirigiu nesta quinta-feira a Pittsburgh, apelidada de Steel City, a cidade do aço, onde inicia a terceira cúpula do G20.

A reportagem é de Arturo Zampaglione, publicada no jornal La Repubblica, 24-09-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A atmosfera é bem diferente da do ano passado, quando o grupo dos 20, do qual, além dos membros do G8, fazem parte a China, a Índia e a África do Sul, se reuniu em Washington poucas semanas depois da quebra do Lehman Brothers para afastar uma catástrofe econômica ainda mais grave. Agora, há muitos sinais encorajadores: a China está em pleno boom, a recessão norte-americana está quase acabando (o Fed confirmou isso nesta quarta-feira, mesmo assegurando que as taxas continuaram praticamente em zero durante “um período prolongado”), e as bolsas recuperaram o fôlego (desde março, a Dow Jones ganhou 50%).

A melhora do clima econômica apresenta dois riscos: a respeito do primeiro, falou Dominique Strauss-Kahn, diretor-geral do Fundo Monetário, a quem o G20 já confiou novos meios e um novo papel de “guardião”. “A crise, de fato, não acabou”, recordou Strauss-Kahn, que, em um discurso em Nova Iorque, insistiu nas consequências para os países pobres, onde, acrescentou, “a marginalização econômica, a instabilidade política e uma crise da democracia poderiam desembocar em uma guerra”.

O outro perigo é que se atenue o estímulo político a uma reforma dos mecanismos financeiros. Na primeira reunião em Washington, o G20, que representa 85% da produção mundial, comprometeu-se a redesenhar a “arquitetura” da economia. No segundo encontro, em Londres, em abril, ele entrou em maiores detalhes. Mas continua sendo muito lento, alimentado também por divisões entre os Estados Unidos e a Europa sobre as regras de capitalização dos bancos para torná-los mais sólidos e sobre os instrumentos para acalmar os gastos dos banqueiros.

“O resultado é que ainda não foram enfrentadas aquelas carências que favoreceram a crise e que, para muitas opiniões, também a causaram”, disse nesta quarta-feira o ministro do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, pedindo que o Congresso aprove o mais rápido possível uma reforma que atribua ao Federal Reserve mais poderes de controle nos maxibancos: aqueles cuja falência provocaria um terremoto generalizado.

No G20 de Pittsburgh, uma cidade-símbolo renascida das cinzas da velha indústria siderúrgica, irá se falar das mudanças do sistema financeiro, do reequilíbrio do comércio mundial, das compensações dos executivos, da luta contra o protecionismo e das “exit strategies”, isto é, das políticas para evitar que as enormes ajudas públicas concedidas em todo o mundo (cinco trilhões de dólares entre nacionalizações, injeções de capital e medidas de estímulo econômico) não se traduzam em uma inflação galopante.

Os EUA e a Europa chegam ao G20 com prioridades diferentes. Geithner, que nesta quarta-feira à noite se encontrou com Mario Draghi, na qualidade de presidente do Financial Stability Forum, preparou um documento centrado no reequilíbrio das economias mundiais. Os maiores países exportadores, começando pela China, deveriam fazer mais para reduzir o superávit e desenvolver o mercado interno. Os países mais endividados, como os EUA, deveriam favorecer a economia interna. E Obama gostaria que o G20 verificasse a cada seis meses os progressos feitos nessas direções.

Pelo contrário, a União Europeia se apresenta em Pittsburgh com a proposta de criar um supercontrolador do sistema bancário europeu com poderes supranacionais. “O sistema europeu - explicou o presidente da UE, José Manuel Barroso - poderia servir de modelo também em nível global”.

Até o momento, a China se mostrou favorável às posições norte-americanas, mesmo que - advertem os analistas - ela nunca aceitará as condições que penalizem o seu crescimento. A Índia insiste em uma dura tomada de posição contra o protecionismo, do qual se veem algumas tendências perigosas, especialmente nos EUA com as cláusulas do “buy american” no plano de estímulo econômico e com a guerra aos pneus chineses. E todos juntos - China, Índia e Brasil - defendem que muito mais seja feito pelo G20 em favor dos países em desenvolvimento: justamente como defende o diretor do FMI, Strauss-Kahn.

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