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São necessárias soluções de longo prazo para a seca no Chifre da África

Posted at 15/08/2011 | By : | Categories : Em Ação | Comentários desativados em São necessárias soluções de longo prazo para a seca no Chifre da África

São necessárias soluções de longo prazo para a seca no Chifre da África

PNUMA Brasil

O Chifre da África está vivendo sua pior seca em mais de 60 anos, após duas temporadas sem chuvas que levaram à quebra da safra, perda generalizada do gado e aumento dos preços dos alimentos na Etiópia, Quênia, Djibouti, Somália e Uganda. A situação agora é terrível, com mais de 11 milhões de pessoas que requerem assistência para salvar suas vidas em toda a região.

Enquanto a comunidade humanitária trabalha para salvar vidas nas áreas afetadas, a necessidade de soluções sustentáveis ​​para evitar uma nova ocorrência dessa situação a médio e longo prazos está se tornando cada vez mais evidente.

“O primeiro e mais urgente desafio é fornecer comida, água e outros bens essenciais para as pessoas afetadas”, afirmou Nick Nuttall, porta-voz do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). “Mas deve-se levar em conta que resolver as causas desse problema também pode levar a uma eventual solução”, acrescentou.

Inúmeros fatores têm contribuído para essa crise, tendo os desafios da mudança climática como um deles. A região está claramente experimentando em primeira mão as consequências das mudanças climáticas sobre os seres humanos, e entender a ligação entre a mudança do clima e o desenvolvimento é particularmente importante na África, onde a agricultura e outros setores sensíveis ao clima são o principal meio de sustento da economia local.

Essa não é a primeira vez que a seca provoca um efeito violento na região. No entanto, antes da década de 1970, condições climáticas extremas, como o El Niño, ocorriam a cada 10-20 anos, permitindo que as comunidades locais buscassem medidas para lidar com suas consequências. Mas a mudança climática está se tornando mais difícil de enfrentar, provocando eventos climáticos extremos com maior freqüência e intensidade. Desde 2001, períodos consecutivos de seca em algumas áreas da África têm levado muitos países à grave escassez de alimentos.

Investimentos na recuperação e manutenção dos ecossistemas da Terra — desde florestas e manguezais até áreas úmidas e bacias hidrográficas — podem ter um papel fundamental na luta contra a mudança climática, bem como tornar economias vulneráveis resistentes ao clima. De acordo com um estudo sobre mudanças climáticas e os impactos e as estratégias de adaptação da agricultura na África Austral, realizado em conjunto pelo PNUMA e o Centro Mundial Agroflorestal em 2006, uma série de medidas de adaptação poderiam enfrentar os eventos climáticos extremos como secas e inundações resultantes da mudança do clima. A colheita de água da chuva, a melhoria da variedade da safra e das previsões climáticas, bem como reflorestamento de áreas degradadas, são apenas algumas medidas de custo-benefício citadas no relatório.

A disponibilidade de água potável é crucial nessas comunidades vulneráveis. O PNUMA está na vanguarda de apoio à restauração da floresta Mau do Quênia, uma das florestas da África Subsaariana, fonte dos rios Yala e Nyando, que alimentam o Lago Victoria e fornece, assim, água potável e apoio a 5.000 hectares de arroz — uma importante produção para a segurança alimentar local. Décadas de desmatamento dessa floresta resultam hoje em efeitos devastadores sobre o país, incluindo secas e enchentes severas que por sua vez levam à perda de vidas humanas e meios de subsistência, agricultura e pecuária. Passos importantes já foram tomados para reabilitar o Mau e, em fevereiro, um projeto multi-milionário para ajudar na restauração do complexo foi anunciado pela União Europeia, o PNUMA e o Governo do Quênia.

Na Etiópia, o PNUMA trabalha em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para ajudar a introduzir novas políticas que ajudem no gerenciamento de riscos e impactos das mudanças climáticas em seis distritos. O programa CC DARE (na sigla em inglês), implementado conjuntamente pelo PNUMA e o PNUD, está fornecendo apoio oportuno a nove projetos nacionais, sendo a maioria deles ligados ao setor agrícola e, portanto, concentrados na segurança alimentar, em um esforço para acelerar a integração da consideração do risco climático nas políticas e planejamento nacionais para reduzir a vulnerabilidade aos impactos do clima.

Também no Chifre de África, o PNUMA tem colaborado com o UNICEF em projetos de gestão de recursos hídricos, o que inclui avaliações de recursos hídricos subterrâneos e formação de conselhos para ajudar a melhorar a resiliência à seca e a segurança da água. O compartilhamento das lições aprendidas e adquiridas a partir de tais projetos será de grande utilidade para as pessoas e populações afetadas pela seca.

“Esses projetos ilustrativos destacam que algumas comunidades estão tentando aumentar a resiliência e reduzir a vulnerabilidade diante da aceleração das alterações ambientais, incluindo a mudança climática”, disse Nuttall. “Ampliar e acelerar a sua execução pode vir a ser uma das chaves para um futuro mais sustentável e estável para milhões de pessoas na região”, acrescentou.

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Visite o hotsite especial sobre o Chifre da África:

http://www.onu.org.br/chifredaafrica/

(PNUMA Brasil)

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