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Onde estão os Líderes Sustentáveis?

Posted at 09/07/2013 | By : | Categories : Artigos | Comentários desativados em Onde estão os Líderes Sustentáveis?

Onde estão os Líderes Sustentáveis?

Por que será que o que se aprende na família e nas escolas com relação a valores éticos não é seguido, grande parte das vezes, pelas empresas? Essas e outras indagações foram feitas por Ricardo Voltolini, um jornalista que conseguiu reinventar a profissão e hoje é consultor de grandes empresas que querem dar passos (nem que sejam de formiguinhas) rumo à sustentabilidade.
Voltolini e sua enxuta equipe (sim, ele não conseguiria sozinho fazer tanto, nem ir a diferentes lugares em pouco tempo, sem a ajuda das mulheres maravilhosas que o acompanham) estiveram na última quarta-feira (26) em Porto Alegre para realizar o Conversas com Líderes Sustentáveis. Na capital gaúcha, o evento foi abraçado pelo Sistema Fecomércio, que baseou todo o seu 3º Fórum de Sustentabilidade na iniciativa capitaneada por Voltolini.

Foto: Fecomércio
Agir local
“Saí com a ideia de mais quatro projetos”, revelou Rodrigo Silveira, do Sindilojas de Gravataí. Já Marta Silveira, do Sindilojas do Vale do Jacuí, com sede em Cachoeira do Sul, contou que gostou da linguagem, da forma como ele conduziu o assunto. Eles fizeram parte de uma plateia atenta, que quase lotou o maior auditório do Centro de Eventos do Plaza São Rafael na parte da manhã, com cerca de 400 pessoas. À tarde, o encontro continuou animado e com intensa participação, porém com muito menos gente.
E parece que nenhum presidente, dono ou tomador de decisão de empresa gaúcha prestigiou a iniciativa. Pelo menos na parte mais participativa, que foi a da tarde. Voltolini me disse que isso é comum. No Brasil, dificilmente pessoas do comando fazem parte da plateia em eventos similares. Como consumidora, fiquei desapontada em saber que não havia nenhum representante do Grupo Zaffari, uma rede de supermercado gaúcha, nem de outros estabelecimentos que frequento. Principalmente porque, conforme as palavras de Voltolini, “líderes realmente sustentáveis se medem pela capacidade de escutar”.
O consultor saiu satisfeito da atividade na Capital dos gaúchos, realizada dia 26 de junho. Gostou da organização, da participação do público e contou que mal conseguiu almoçar por ser constantemente abordado por interessados. “Foi um encontro de alto nível”. Tinha imaginado que se era um encontro para “líderes” iria encontrar vários empresários de peso preocupados com o tema. Mas, como ele mesmo explica em seu livro Conversa com Líderes Sustentáveis, “eles (líderes preocupados de fato com a sustentabilidade) não estão dando em árvores”.
Pensar global
Ao longo da fala de Voltolini, acessei vários arquivos da minha memória que me fizeram conectar várias coisas. Ele mencionou o quão inovador foi o trabalho do Banco Real nos tempos de Fabio Barbosa, quando passou a incorporar critérios socioambientais no financiamento de empreendimentos. “Em 1999, não tinha ninguém no mundo fazendo isso”, recordou.
O tempo passou e a tese de Barbosa – de não financiar quem destrói o ambiente, pois pedir falência antes de terminar de pagar a dívida – mostrou-se verdadeira. Conforme Voltolini, foi por essas e outras práticas que o Real foi vendido ao Santander por um valor 25% maior do que tinha antes da adoção de um postura em busca práticas mais sustentáveis.
Naquele tempo, uma colega de profissão que trabalhava naquele banco me ligava para perguntar sobre a conduta ambiental de determinadas empresas. Eu era coordenadora da assessoria de comunicação do órgão ambiental do Rio Grande do Sul e estava implantando um sistema, talvez um dos primeiros do Brasil, onde era possível acompanhar o processo do licenciamento ambiental pela internet. Naquela época, nossas façanhas serviam de modelo a toda terra, parafraseando o hino rio-grandense.
Todos que conversei adoraram o desempenho de Voltolini, que dispõe de uma metodologia própria para amolecer até as cabeças mais duras. No entanto, os depoimentos dos convidados não convenceram muito. Pelo menos foi isso que constatei depois de conversar com diversas pessoas. Os dois eram de grandes empresas, da Braskem e da AES.
Para uma participante do Fórum, aos convidados faltou o que Vontolini aponta como fundamental em líderes sustentáveis: acreditar verdadeiramente no tema, ter paixão pela causa. “Não deu pra sentir a paixão dos caras”, opinou a jovem. A questão é que depois de ouvir o consultor da Ideia Sustentável, enumerando vários atributos do tal “líder sustentável”, que na verdade não existe, qualquer pessoa que venha a seguir deixa muito a desejar. Talvez isso mostre o quanto é preciso melhorar para um dia alguém chegar perto de ser um líder sustentável. Mas enquanto não se chega lá, pergunto: será que as empresas acham que é possível melhorar o desempenho da sustentabilidade sem saber se comunicar?
E você, conhece algum líder que tenta, de fato, ser sustentável? Diga o que pensa sobre isso em nossa área de comentários. Eu e todos os interessados em encontrar esses líderes agradecemos.
(Silvia Marcuzzo/ Mercado Ético)

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