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Nevascas fora de época estão relacionadas com degelo do Ártico, apontam pesquisadores

Posted at 28/03/2013 | By : | Categories : Artigos | Comentários desativados em Nevascas fora de época estão relacionadas com degelo do Ártico, apontam pesquisadores

Nevascas fora de época estão relacionadas com degelo do Ártico, apontam pesquisadores

 

Fabiano Ávila, do Instituto CarbonoBrasil

Foto: Henrique Andrade Camargo

A Europa e a América do Norte estão enfrentando nevascas que não são comuns para essa época do ano, fazendo com que muitos se perguntem: onde está o aquecimento global?

A resposta já foi dada algumas vezes por diversos centros de pesquisas diferentes, como o Instituto Postdam, que afirmam que o degelo do Ártico é o responsável pelas frentes frias fora de época. Nesta semana novos pesquisadores manifestaram-se favoráveis à essa teoria.

“O degelo está afetando as correntes de ar, que conseguem chegar mais ao sul do que antigamente. O gelo marinho está se perdendo rapidamente e já é 80% menor do que era há 30 anos”, explicou Jennifer Francis, do Insituto Rutgers de Ciência Marinha e Costeira, ao jornal The Guardian.

É a mesma posição de Stephen Vavrus, do Instituto Nacional de Pesquisas Climáticas da Universidade de Wisconsin-Madison. “O derretimento permite que o calor do oceano escape para a atmosfera, alterando padrões de pressão, incluindo correntes de ar gelado que sopram em direção ao sul. Assim, nós recebemos mais frio e neve mesmo com as temperaturas médias anuais sendo mais elevadas do que no passado.”

A teoria ganhou ainda mais força depois que uma nova análise sobre o degelo do Ártico foi apresentada nesta semana pelo Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos (NSIDC).

Segundo o NSIDC, a extensão de gelo marinho no Ártico atingiu seu máximo neste ano no dia 15 de março, cobrindo 15,13 milhões de quilômetros quadrados. Trata-se da sexta menor extensão desde que as medições começaram a serem feitas, há 35 anos. Além disso, as 10 menores extensões já registradas aconteceram nos últimos 10 anos.

A análise ainda aponta que mesmo a região do Polo Norte que costuma estar coberta com gelo mais espesso e de múltiplas camadas apresenta agora predominantemente um gelo muito mais fino. É apenas a segunda vez que isso acontece, a primeira foi em 2008.

“A quantidade do gelo mais espesso simplesmente colapsou. Vemos apenas resquícios dele e, até agora, não temos porque acreditar que ele vai voltar a se formar no futuro”, explicou David Titley, especialista em políticas climáticas no Ártico da marinha norte-americana.

Em 2012, a Unidade de Pesquisas de Potsdam do Instituto Alfred Wegener para Pesquisa Marinha e Polar já afirmava que a então queda das temperaturas na Europa estava ligada ao degelo do Ártico.

De acordo com os cientistas, o grande degelo está resultando em um oceano mais quente e que não consegue evitar que o calor retorne para a atmosfera. Assim, o ar sobre o oceano se aquece, principalmente entre o outono e o inverno, levando a novos padrões atmosféricos.

Uma das consequências desse fenômeno aparece quando a diferença de pressão entre a região continental e o Mar do Norte fica grande o suficiente para gerar ventos úmidos que sopram com força na direção dos países europeus, trazendo grandes nevascas.

(Instituto CarbonoBrasil)

 

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