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Luzes sobre a Rio+20: o que aconteceu desde 1992?

Posted at 02/02/2012 | By : | Categories : Aquecimento | Comentários desativados em Luzes sobre a Rio+20: o que aconteceu desde 1992?

Luzes sobre a Rio+20: o que aconteceu desde 1992?

PNUD Brasil

O encontro que é visto como uma continuidade da Declaração sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992 está voltando ao Rio em junho. O encontro de 1992 foi considerado pela comunidade global como uma das melhores tentativas para mudar o curso do desenvolvimento humano para um modelo que seria sustentável e equitativo.

178 países, representados pelos chefes de governo, concordaram por unanimidade com a adoção da Agenda 21, projeto de desenvolvimento sustentável para o mundo, em direção ao século XXI. O novo encontro, já nesse século, foi denominado Rio+20. Avaliará o quanto o mundo evoluiu nesses últimos 20 anos e como podemos reavaliar as metas e os planos de ação, segundo as demandas.

Com o objetivo de preparar a agenda para a Rio+20, a ONU encomendou três relatórios sobre o progresso da implementação dos princípios do Rio. Estes relatórios acabaram de ser publicados e proporcionam uma leitura muito sombria. Sobre os principais objetivos estabelecidos na Rio 92, o progresso tem sido muito pobre.

Disparidade no uso dos recursos

A análise verificou, sem surpresa, que 20% da população mundial que vive na América do Norte, na União Europeia e no Japão, ainda consomem 80% da matéria-prima e dos recursos energéticos do mundo.

Em média, um habitante da América do Norte consome 90kg de matéria-prima por dia, um da União Europeia 45kg por dia e em todo o continente africano, essa média é de apenas 10kg por dia. O aumento da demanda das regiões densamente povoadas da China e da Índia, não previsto no encontro de 1992, piora ainda mais a situação da África.

Nos 20 anos desde a Rio 92, os países ricos têm, de fato, desenvolvido novos processos e tecnologias para reduzir o uso de matéria-prima e energia em vários setores de produtos manufaturados. Esses novos procedimentos e tecnologias não foram transferidos para as indústrias emergentes na China, Índia ou nas outras economias emergentes. A disparidade é ainda mais ampla nas pequenas e médias indústrias nessas economias emergentes, devido à pouca exposição às tecnologias globais.

A área mais problemática que falhou, na perspectiva do desenvolvimento sustentável, continua a ser a indústria de geração energética. O mundo continua dependendo dos combustíveis fósseis, com 53% da geração de energia provenientes dos derivados do petróleo ou do gás natural e os outros 27% do carvão. A energia hidroelétrica representa apenas 2,3%, a energia solar e eólica minúsculos 0,8%.

Redução da pobreza

A Rio 92 concluiu, com razão, que o desenvolvimento sustentável só pode acontecer se os níveis de pobreza globais forem drasticamente reduzidos. Naquela reunião, as nações concordaram que a redução da pobreza é de responsabilidade de todos os países, não apenas dos países pobres. Sobre medidas de redução da pobreza, o relatório é particularmente sombrio.

Os fundos que efetivamente foram desembolsados pelas economias desenvolvidas estão muito aquém dos compromissos assumidos previamente. As justificativas são que o dinheiro concedido é desperdiçado pela corrupção institucional e há um desrespeito aos calendários. Embora essas razões, até certo ponto, sejam válidas, a diminuição da ajuda se deve prioritariamente à contração econômica destas nações. Uma vez que essa contração parece destinada a continuar, a Rio+20 poderá não encontrar qualquer solução para este problema.

Acesse documentos e publicações de referência para a Rio+20 clicando aqui.

(PNUD Brasil)

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